VICTOR ALIPERTI

Entrou no Atelier em 2018

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Relatório da Aula de Escultura

29.10.2019

VICTOR ALIPERTI

O quê é gastronomia no méthodo?

“o organismo humano é uma ineficácia gritante”

DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. Mil platôs. Capitalismo e esquizofrenia. Vol. 3. ed.

34., São Paulo, 2015. p. 12

 

“Será tão triste e perigoso não mais suportar os olhos para ver, os pulmões

para respirar, a boca para engolir, a língua para falar, o cérebro para pensar,

o ânus e a laringe, a cabeça e as pernas? Por que não caminhar com a

cabeça, cantar com o sínus, ver com a pele, respirar com o ventre(...). A

psicanálise diz: Pare, reencontre o seu eu, seria preciso dizer: vamos mais

longe, não encontramos ainda nosso CsO, não desfizemos ainda

suficientemente nosso eu.”

DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. Mil platôs. Capitalismo e esquizofrenia. Vol. 3. ed.

34., São Paulo, 2015. p. 13

Esse título parece ser bem ruim, mas coloco esse por não saber ao certo qual por no lugar. Quero me questionar: o quê é o méthodo? O quê seria a arte do nosso tempo, ou arte do futuro, a qual RES se propõe a fazer? O quê é gastronomia? O quê seria uma junção dos dois? Quem sou eu? Quem é que se sufoca quando me reafirmo sem pensar achando que sei algo de verdade sobre mim?

Gostaria de fazer todas essas perguntas num título, mas enquanto desejo, escrevo esse título para, quem sabe, um dia poder dizer um pouco sobre o que ele literalmente se propõe.

Cozinho há um ano e meio no atelier do centro e nesse movimento, junto de muitos outros, iniciei um processo de investigação do meu organismo, de tudo que me foi imposto até antes mesmo de eu nascer e que reproduzo de maneira completamente robótica, sem pensamento. E inicio esse movimento por ter um mestre, por me propor a fazer a minha vida a partir do méthodo e então poder desorganizar esse organismo ineficaz para algum dia poder ter acesso e poder ser o que nem sequer sonho de mim, o desconhecido de mim.

O que significa alguém me atrapalhar enquanto cozinho? O que poderia realmente significar ser demandado de mim que eu sirva o prato trinta minutos antes do que me foi proposto sem aviso prévio? O que pode significar todas as pessoas que almoçam no atelier do centro estarem na cozinha, me pressionando, com os pratos vazios em mãos, esperando que este fique cheio o mais rápido possível enquanto finalizo o prato? Foi nessa situação que Rubens me colocou na quarta-feira. Foi esta chance que me foi dada de tentar exatamente o que digo no parágrafo anterior. Como meu corpo responde ao descontrole?

 

Giros de lá pra cá, resposta meia dada e o coração bate forte. Já foram 6, faltam 4. Alho tilinta na panela e quase dourado em demasia. “O que é isso na panela?” Giro coloco, digo: Tempero. Misturo feijão e o amasso, Sal, pimenta, espremo. “Olha o suor na testa dele”. Mal tenho como secá-lo, ele já escorre até os olhos e atrapalha. O bife, tem um bife na frigideira e o medo dele ser queimado? O corpo gira e revira, a cabeça realmente não acompanha mais e só se faz, sem pensar. Modo desconhecido de estar. Emputecido? Um pouco. Crianção? Com certeza! Mas foda-se o sentimento, o que o corpo conhecido tá pedindo e as razões pelas quais ele estaria chorando, há uma demanda do Mestre e essa deve ser cumprida, senão será rebeldia à mim e isso meu corpo insiste, muito esperto, em não querer. Deu tempo pra provar? Magina. Só Deus sabe o gosto e a cada instante de desespero, de só fazer, que passa, vai diminuindo, cada qual com seu prato. Arroz, feijão, dois ovos e salada.

Noção muito básica de o que é uma comida gostosa sei que tenho. Mas o que mais é necessário para não ser só mais uma pessoa que tem técnica gastronômica? Isso não basta para o méthodo. Isso não basta para RES. Saber inventar um modo de estar numa situação “aparentemente" impossível é realmente a dádiva de ter um mestre, de ter alguém que me propõe tal situação. Nesse sentido, tive um vislumbre do que é gastronomia no méthodo e precisarei desorganizar o organismo que opera sobre mim para poder chegar cada vez mais perto a entender.

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