Uma coisa de Res

 

12 de abril de 2018

 

Enquizinhei-me no matagalheiro de vertentes d´águas escorridas de placas de grosso material verbalístico, enquanto coisas são transportadas por túneis fósseis de mim — fossa poça eu fuçar a coisa rígida e duríssima de pontas afiadas voltadas para meu peito a cada dia é mais dias enfiados por baixo de minhas unhas. Estou em estado de mim, estadia, rigorosa estadia num resort retro retrocesso retina resina menina mulher mula laranja entregador de algo transportar transpoema translíngua transma transar-me eu, no interior da coisa lamacenta caminha um caolho. Sangue nas pontas dos dedos, esvaziando a máquina. Esquizo esquisitão eu-me aproximo, por trás, pela frente, não há jeito de entrar, nem ventilação tem a porra do lugar, seus dutos são rentes demais, não há curva ali aparente, mas em outro lugar daquele lugar eu estou, em outro de mim deve haver um sim, em outro dele um não, consigo me ater ao inverso do único bem que possuo, ainda que seja pequeno o meu pacote, ele faz suar minhas mãos, levanta uma camada de pó depositada ali há muito e muitos e muitos. Quando não há a palavra perfeita, quando não acho a palavra me encontro. Eu me acho. A não palavra me leva direto a mim. Anão de mim, direciona a sim do outro. Recuso, recuso, ainda assim a coisa escrita se desmorona na minha frente, cai um espaço entre uma palavra e outra, o tráfego entre elas está suspenso, elevou a ponte num corte brusco, os veículos que abasteciam o sentido, não trafegam mais. No meu sono profundo acordei num outro tempo, me vi escorrer, me vi rodar, embaixo dos meus pés, as serpentes se moviam caudalosamente, escorriam, deslizavam num brilho embriagador, lodo, Lobo, lógica, logo mais li o lodo, Lobo lógico devora o lodo que escorre, entre dentes dela, a cadela da língua no cio balbucia entredentes, entremeios, entremente, entre as pernas o resíduo definitivo, barbaciona balbucio bulbo bolha - a coisa, a criatura, as ramificações, os nervos à flor da pele e a pele à flor dos nervos, invoco, invoco, invado-me, então, queria dizer o que está sendo dito aqui ali mesmo onde ainda não foi dito, assim o que quero dizer não se diz de jeito algum, ainda assim digo digo digo, trigo de um dizer que não se diz, peixe que resiste ao anzol, estrebucha mas resiste, pula novamente na água de dentro do balde do pescador, corre, insiste, malha fina, rede, digo, não digo, quebra, racha, fenda, Lima, em cima da mesa as chaves, num mundo onde as trancas são invisíveis.

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