Relatório Ana Viotti sobre sessão de terça 29 de maio de 2018

June 4, 2018

Onde está a vontade do homem e artista Rubens no desenho?

 

Essa pergunta que muitas vezes me faço, na verdade não tem sentindo. A vontade existe
enquanto ação, enquanto realização.


Se essa pergunta pudesse ser respondida de outra forma, de forma fácil e explícita, o
desenho de Rubens estaria morto.

 

A palavra vontade não faz sentido enquanto potência. Não faz sentido enquanto não
materialização.


A fúria, a ânsia de Rubens em fazer, em agir, em materializar é seu desespero de existir, de
se relacionar.

 

Se Rubens hoje tem esse montante de pessoas ao seu redor é porque ele construiu isso
desesperadamente. É porque trabalhou - e trabalha - incansavelmente para que ele possa
existir nesse mundo.

 

Todos nós queremos existir, todos nós queremos nos relacionar. Somos universos
encapsulados em carne e osso, somos feitos de matéria bruta. E assim como nós que somos
matéria, só podemos existir enquanto matéria.

 

Assim como nascemos de um trabalho, da libido, de um instinto de sobrevivência da espécie,
da relação entre dois seres, de todo um complexo orgânico se movimentando
incessantemente para uma vida existir, respirar não é suficiente.

 

Esquecemos da violência que é necessária para viver, que o mundo vai continuar se
movimentando mesmo que se esteja parado. A inércia é confortável e inevitável. E é fácil
achar que está vivo só por poder sentir o calor ou frio ao tocar o braço de outra pessoa.

Acho que Rubens trabalha todo para não ser vulgar com a única coisa que lhe foi possível,
seu corpo. Seu corpo é tudo o que tem.

 

E não ser vulgar com seu corpo não significa que não possa bater uma punheta todos os dias
se quiser, mas sim que suas pernas não se restringem ao chão que seus pés tocam.

 

Que nascer numa família pobre, problemática dentro esse país caótico chamado Brasil, não
significa que tem de dar continuidade a essa linhagem que sucede o fracasso.

 

 

Rubens afia sua pequena faca todos os dias a 30 anos. Nunca a abandonou. Um dia, tudo
que ela era capaz de cortar eram lascas de um lápis, hoje faz fissuras nos ossos.

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