Sobre a sessão de desenho de 10.04.18

April 10, 2018

 

Fugi de escrever esse relatório até o momento que pude.
Presenciei diversas ações de Rubens durante a semana, me maravilhei e não
mais soube o que falar.

Do que estou fugindo quando evito escrever? O que não estou querendo relatar?
Que mentira sigo acreditando nesses últimos cinco dias, de que não posso falar
sobre a experiência vivida possibilitada por Rubens?

Quando na verdade, sempre me foi proibido fazer esses relatórios.
Não posso, nem tenho como fazê-lo. Mas menti que podia, menti que podia
quinze vezes seguidas que eu podia e escrevi. Hoje tenho que mentir novamente.

Me assusta como Rubens mentiu para si e para os outros que podia.
Que podia escrever desde pequeno, que podia ler Heidegger com 15 anos, que o
ensino tradicional faliu e que podia aprender com cientistas, que podia escrever
cadernos e cadernos, que podia pegar jornal do lixo do outro e recortar as
imagens que lhe interessava, que podia desenhar, pintar, estudar a si mesmo.
Que podia ser artista, mudar a si mesmo e tocar o outro.

Repetiu todas essas mentiras até o ponto em que elas se tornaram verdades.

Essa semana ao assistir Rubens desenhar, não sei se achava que podia alguma
coisa. Parece que o desenho começa mesmo quando não se pode nada. Quando
se entende que os limites existem e você não pode.
Não poder é a matéria prima para começar. É o momento em que pode então
criar o espaço para algo existir.
Se os limites ficam claros, aí então pode criar a fratura para agir.

As mentiras contadas por Rubens são poderosas o suficiente para se colar na
realidade, onde você não sabe mais diferenciar a mentira da verdade.
Quando as limitações que viveu já não eram mais um problema, ele inventou
novas. Novas restrições para então voltar a se movimentar.

Rubens é o homem mais limitado que eu conheço. E por esse mesmo motivo, é
que pode criar tanto.

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