Relatório - Sessão de sexta - 27 de abril de 2018

March 23, 2018

 

 

Foi a primeira vez que presenciei RES desenhar. O corte de cabelo antes, logo depois de falar sobre volição foi intenso, mas ao mesmo tempo tão leve quanto o resultado dos cortes, extrema delicadeza e cuidado. A única tensão se deu para mim ao tentar relacionar de alguma forma o corte com o conceito de volição. RES deixou claro que antes dos 35 anos seu trabalho artístico não aconteceu, não produziu um objeto artístico com volição, ao passo que o objeto artístico pouco deve importar, existe algo que o artista pode adquirir com a vida, através da experiência, que é muito mais valioso do que o objeto em si, e por vezes chega a ser transportado a este. Até os 35 anos RES trabalhou, sem saber o que pensaria sobre aos 52. Me vejo nesse lugar, trabalhando, esculpindo algo sem muito me preocupar além da obrigação e responsabilidade vinculadas a tarefa em si. RES disse que não fez uma obra com volição até pelo menos 35 anos, mesmo assim trabalhou. Algo relacionado ao corte surgiu para mim, no sentido de RES ter trabalhado a volição em outros aspectos que não a arte no período, e a partir justamente do trabalho nessas outras esferas foi possibilitada a construção de algo, seu objeto que está muito além do campo da arte apenas. Pensei então se seus anos de trabalho até os 35 anos não foram constantes exercícios e aprendizados de volição, e hoje, após enfrenta-los proporciona algo semelhante aos seus alunos, na esperança, imagino, de seus alunos absorverem algo e conseguirem por si mesmos executar o próprio aprendizado de volição, para então, talvez conseguir sair da esfera de aprendizado e produzir algo com volição. Observar RES desenhar deixa claro seus anos de trabalho e constante aprendizado em sua vida, um ponto atingido de extremo domínio, muito além da técnica, um domínio das propriedades do material. Joga para longe, caem no chão sujo seus materiais caros, como se pouco importasse. Ficou claro para mim nesse momento que não só palavras ou conceitos são reapresentados por RES, quase que ressignificados, diante do nosso aprendizado falho, mas também os gestos . No mundo, quando alguém joga algo no chão ou lixo representa um desprezo àquilo que está sendo desprezado. Contudo RES, ao executar essa ação dá continuidade a algo que está no papel , uma ação sobre este, ferir a folha, o material, o desenho construído que se reconstrói com essas ações, já que RES encontra-se ferido ele mesmo. A ação gera uma nova ação relacionada, desde o momento em que o desenho se inicia, num processo de (des)construção. Portanto RES não apenas joga os materiais deliberadamente, mas dá continuidade à algo expresso na folha, a mesma agressividade com a qual a aborda. Deixa claro seus anos de experiência, e aprendizado com os materiais, como disse em aula, um químico desenhando. Me disse numa aula que o modo como me tratou com autoridade foi impessoal, e de forma alguma arbitrário, da mesma maneira que jogar os materiais não é uma ação arbitrária, fica claro que o material não importa em si, a marca, o preço, o ato de jogá-lo é completamente impessoal. No momento vejo que não quero e nem posso ser o químico, nem compreender a volição em mim a ponto de fazer um objeto de arte com volição, sendo assim não me interessa entender o como de RES ao executar algo. Cabe a mim observar, longe de comos e por ques. Todos os desenhos foram feitos no mesmo momento pela mesma pessoa. Doze folhas lado a lado em branco. Cada uma teve um processo diferente, ainda que participantes do mesmo todo. Cada uma se muniu do necessário para si própria sobreviver como desenhos. O mesmo acontece com os alunos. Folhas em busca de um processo induzido por RES no atelier. Poderia ser simples assim. Mas ao observar os desenhos, os materiais que foram utilizados, o teor plástico, fica claro: não é nada simples... Assim como imagino que não seja nada simples fornecer a cada um dos alunos o que precisam em momentos tão diferentes.

Tags:

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes

October 24, 2018

October 22, 2018

October 16, 2018

October 16, 2018

October 16, 2018

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Atelier do Centro - G1

Rua Epitácio Pessoa, 91, República, São Paulo

3129-3977 // 99537-5396 (RES)

Segunda à sexta: 8h às 17h

atelierdocentro@gmail.com

Galpão do Centro - G2

Rua Teodoro Baima, 39, República, São Paulo

Residência Atelier Luca Parise - G3

Rua Teodoro Baima, 51, SL 2, República, São Paulo 

www.lucaparise.co

CECAC - Centro de Estudos Conglomerado

Atelier do Centro - G4

Rua Teodoro Baima, 51, SL 1, República, São Paulo

Atelier do Centro - G5

Rua Teodoro Baima, 88, República, São Paulo

Coleção Àlex Muñoz - G6

Carrer del Segle, 5, Premià de Mar

08330 - Barcelona, España

OPCAC - Oficina Prática Conglomerado Atelier do Centro

Rua Teodoro Baima, 39, República, São Paulo

www.opcac.xyz

Vernacular - Editora Atelier do Centro

www.ccsvernacular.com

www.medium.com/@carolccs

  • YouTube
  • Instagram