Res tentando falar de res - De um lugarzinho minúsculo de ser um servo do templo

March 21, 2018

Sou manipulado pelo tempo

Sou uma exigência de um tempo, se não fosse eu seria outro

O tempo não liga para mim 

Uma vez mais os artifícios se esparramam pelo chão, como artefatos inúteis 

Como artimanhas obsoletas 

Meus apelos são grunhidos 

Meus apelos sortilégios desmascarados: se existe um xamã hoje ele está em pele viva respirando fumaça embaixo de um motor a diesel numa oficina na periferia da cidade

Um bicho solto escavou em mim sua morada: o imundo é que o bicho solto sou eu ( não posso dizer que sou, não sou ( não posso usar sou, ainda é uma miragem, o advérbio de negação precisaria de algo para negar, aqui não há algo para negar, portanto ele é mais uma vez impertinente — não tenho mesmo uma presença suficiente para não ser qualquer coisa, preciso deste espaço exíguo deixado no poema para tentar a manobra de escrever, preciso deste lugar sem oxigênio nenhum para tentar me definir, preciso escrever com o parênteses me apertando num limite cerrado da língua para dizer-me sem ser coisa nenhuma é isto que desejo: dizer-me num lugar que antecede a pressão de me negar ou me aceitar ), não posso dizer eu, eu: é apenas uma fantasia de mim, uma projeção, mesmo “m( No meio de mim vou me inscrever, entre ’m‘ e ‘im‘ há algo de mim, inventado dentro da língua vou achar o fio da meada, o pedaço da história perdida, o rastro da coisa, suas pegadas, espaço impossível de respirar, que não aceita barganha, não aceita negociação de forma alguma, intransigência absoluta entre eu e o que eu posso - entre eu e eu, ENTRE EU E MIM, entre eu e a fantasia meramente de eu, entre um pronome pessoal e a total impessoalidade de mim ou do eu que não é pronome - continuar aqui é um assalto, um roubo, um atentado — mas para isto na verdade preciso ainda apertar mais o cerco a mim, a palavra, a gramática, enfim destituir totalmente a fantasia de mim, de eu, apertar-me até a asfixia de não poder falar, ouvir, respirar, em estado de desmaio Caio num lugar propício a manifestar o que está por baixo da fantasia do Eu - lagarta de uma língua de mim impronunciável - atrevo-me a ingressar no apertado recinto que sinto acercar-se, restrito, mais restrito, mais contenção, tão contra, emparedado, esmagado, meu rosto escorre sangue contra a parede de dizer, só assim consigo ativar os canais imersos de um murmurinho )im” não me pertence ), a virada virá vindo enquanto estou indo, a língua se conjugando numa declinação absolutamente própria, empurrada pela necessidade

A conexão não se dá sem um sacrifício 

Sem uma oferenda

Ofereço tudo que tenho ainda assim é pouco, sou rejeitado -

Me resta esperar -

Ter paciência,

 

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