Sobre a Sessão de desenho de Res - 20.02.18

March 14, 2018

 

Uma das formas para se gerar energia elétrica é através das hidroelétricas, que funcionam através da pressão da água que gira uma turbina, transformando a energia potencial (1) em energia cinética (2). Depois de passar pela turbina um gerador transforma a energia cinética em energia elétrica.

Para gerar energia elétrica, mais outros dois tipos de energia devem agir.

 

Rubens construiu sua máquina de desenho, um suporte de madeira sobre rodízios onde placas de vidro são posicionadas quase como prateleiras, para receber os papéis.

 

Para os desenhos invisíveis serem feitos, Rubens posiciona sprays de tinta sobre duas diferentes prateleiras, posiciona um saco com carga de caneta bic diluída em álcool em outra, joga tinta acrílica preta diluída em álcool em outra, atira nas latas, espalha as tintas com um rodo, bate o resto de tinta da lata em outro desenho.

Duas ações visíveis a olho são: 1) A de Rubens espalhando a tinta 2) O excesso de

tinta de uma prateleira de cima, escorrer por conta da gravidade para a prateleira de

baixo.

 

Assim como para produzir a eletricidade, duas energias diferentes são aplicadas para gerar os desenhos invisíveis, existe o movimento de Rubens e o movimento gerado pela gravidade, isso é fácil de entender, é lógico.

 

O interessante são as duas energias que são aplicadas em Rubens, para então realizar esse movimento:

1. A energia potencial dele, gerada pelos seus 52 anos de vida, que armazena todos seus anos de estudo, de análise, de prática, todas suas coleções, as xícaras, os tratores, as cobras, os canivetes, as serras, as medalhas nazistas, os potes de vidro, a contabilidade, a manutenção, as noites não dormidas pensando no próximo passo

do desenho.

2. A energia cinética. Que movimento é esse gerado em Rubens que o permite liberar sua energia potencial?

 

O que é que o movimenta?

 

Acredito que o investimento e a manutenção maciça no Rubens Espírito Santo, no  organismo Rubens, no organismo oeuvre, gere algo como o que nos impede de parar de respirar, de parar a circulação do nosso sangue, de parar os batimentos do nosso

coração.

 

A soma da ferramenta criada, das forças aplicadas no fazer do desenho, das energias aplicadas em Rubens, resulta num terceiro corpo independente de Rubens. Num estranho, num outro.

Num outro que assim como Rubens, quer existir, que vai existir independente das vontades de qualquer outro que não seja ele.

 

Não é atoa que os desenhos remetam uma cena de um massacre. Com esses desenhos, com essa nova forma de desenhar, Rubens consegue a liberdade que sua revolta desejou sempre, a aniquilação das suas vontades perante o fazer.

 

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