Sobre a Sessão de desenho de Res - 05.02.18

March 14, 2018

 

Todos os seres biológicos são impactados pelo ambiente.

Rubens não é um artista pelos desenhos que faz. Não são os desenhos que validam o grande homem que é.

 

Lei I: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele

 

Lei III: A toda ação há sempre uma reação oposta e de ig­ual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.

Isaac Newton

 

Acho que muito cedo ele entendeu como o meio pode afetá-lo, pode defini-lo de alguma forma. Que a familia de onde vem não vai se descolar dele, que os mendigos que moram na calçada de seu prédio o impactam, violentam seu corpo queira ele ou não. Que acordar e ir deitar com o sol banhan­do seu rosto vão ter consequências sérias em sua vida.

Entender isso já é algo que poucos entendem, mas o genial é o que ele faz com isso. Ao entender que seu corpo esta sendo afetado - sofrendo uma ação - ele pode então não só sentir o impacto de forma passiva e fazer algo com isso. Com a ficção que cria a partir do corpo em choque, conseg­ue fazer de uma ida ao dentista uma coisa fundamental para sua obra, sua vida.

 

“O trabalho do artista não é transpor algo que viu, mas ex­pressar o impacto que o objeto teve nele, em sua constitu­ição, o choque desse contato e sua primeira reação”

Henri Matisse

Os peixes voadores possuem dois predadores: dentro do mar, os peixes dourados - dispostos de uma velocidade absurda - ao irem de encontro com os peixes voadores os forçam usar seu único recurso. Com sua calda fazem um impulso que so­mado com o vento, alçam vôo conseguindo voar longas distân­cias para escapar dos peixes dourados, mas próximo a água, os tesourões voam esperando os peixes voadores emergirem para atacá-los. E então suas vidas dependem em não mergul­har fundo e não voar tão alto, e um instinto de sobrevivência absurdo que os fazem seguir em movimento até despistar os predadores.

 

Existem dois predadores atrás de Rubens, o mundo e ele mes­mo.

 

O fôlego de se manter em movimento, de se manter na fissu­ra, durante anos e não sucumbir a ele ou ao mundo, gera uma terceira força a partir das duas que se chocam em seu ser, ratifica seu vinculo com a vida.

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