Fora das algibeiras

March 7, 2018

Comentário sobre o poema em prosa A Morte de Vera de RES

 

[…] não insisti o suficiente com Vera, até ela não mais estar disponível para a morte. Hoje sei que eu deveria desferir o golpe em Vera, fazê-la sangrar e tomar meu café e não sair, obrigá-la a ter um corte profundo para se recuperar. Dentro de minhas algibeiras não posso viver.

 

Res, A morte de Vera, 13 de fevereiro de 2018

 

Neste pequeno trecho, Rubens nos mostra que a vida na qual ele acredita, na qual ele vive, é aquela levada às últimas consequências – é aquela que não obedece ordens de uma prudência que, ao nos mandar conservar a vida, assim pede para que fujamos dela – atitude de Vera que a levou à morte – mas sim a correr os riscos de se viver a vida – correr os riscos de vida – o que talvez se iguale a correr riscos de morte. É como se esta região, por poucos habitada, cujos limites não se identificam com os da razão, fosse aquela parte irredutível e fugitiva, aparentemente inalcançável – como quando, ao soluçarmos quando choramos, tentamos captar todo o ar do cômodo, mas sempre parece faltar ar – como se fosse marginal e ilimitada é, por excelência, uma região onde a vida é consumada – não justificada por nenhuma utilidade – em vez de conservada, como nos é recomendado – pois ali, eleva-se sobre leis de manutenção da vida – e por isto mesmo, é mais próxima da morte – morte essa que difere essencialmente da morte de Vera. Ou seja: Na borda – a parte que se situa fora das algibeiras – marginal que é a vida de Rubens, é plausível dizer que morte e vida têm, ambos, outros significados que não se repelem um ao outro – que não  repelem, talvez, nada, a não ser a insistente tentativa de dizer o que eles são.

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