Poema para Zé Terepins

March 5, 2018

 

O que tem aqui, vai ser o que tem

Matéria pura de um não dizer:

Incandescência — há um rompimento do gasoduto não identificado, rompeu alguma coisa na sentença. Não, não, no próprio modo como concebo o que queda posto aqui, agora em meio a um enguiço no proferir, confuso o texto pode expressar algo (não posso conceber tamanha interrupção, no interior do que está tentando sair) (não posso conceber tanta fissura no enunciado),

pulando de galho em galho, colho alhures como num canavial que não sabe mais a que é destinado - o destino se foi, a usina está abandonada, a mensagem se extraviou: no extravio pressinto o cheiro da gramática incinerada, sintaxe enterrada, funeral da moça morta num estacionamento de refugiados da construção sintática, a moça morta apodreceria sem ser localizada no matagal da fala. A polícia forense vasculha meu apto em busca de indícios que possam me incriminar, não acharam nada, o crime nunca é mesmo físico. Então lascívia entra correndo, há muitas caixas abandonadas pelo chão de madeira, e dentro do colchão vazio meu peito arde desajeitado.

Ritmo de um lado que não conheço 

Retorno de um sentimento da coisa

Que queria poder manifestar - gostaria mesmo de estraçalhar a palavra manifestar - e deixar dela somente o imanifesto - o que não pode ser dito nem pelo maldito.

O que tem aqui não cabe numa mão - quero entrar em qualquer lugar do texto e agredi-lo, espancá-lo, até ele se abrir para outra natureza da expressão, por exemplo pôr a mão de frente para trás, como a garota frentista de um posto onde nunca abasteci.

Armazéns às margens do vazio, uma carreta passa apressada Meu peito num recôndito arreganhamento ouve a noite em chamas

A opacidade das nuvens

Raspa, fricciona, aterroriza, tumultua ...

Material inflamável embaixo da unha suja

De querer viver em carne viva

 

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