Qual é mesmo o trabalho sendo feito nos "desenhos descontrolados" de RES?

February 3, 2018


 

Pensando sobre o que Álex escreveu ao questionar o descontrole nos desenhos chamados "descontrolados", particularmente sobre quando diz que o ar agora faz o que pede Rubens. Não poderia concordar mais com essa colocação – acho ela muito precisa, e o que me interessa pensar sobre isso é que não significa que Rubens “manipula a natureza”, seria simplista pensar estruturalmente dessa forma, mas muito pelo contrário, a beleza dessa colocação está justamente no fato de que o ar faz o que pede RES já que RES descobriu que o único modo de pedir qualquer coisa ao ar é entendendo que ele não pode pedir nada ao ar, e  então assim o ar se desarma para poder negociar com RES.

Acho interessante a ideia de "pesquisa" da obra de RES, em relação particularmente ao que diz respeito a língua, ao idioma. Vejo a pesquisa de Rubens muito relacionada com o idioma, e com tantos idiomas que estão ainda esperando por serem destrancados (unlocked) pelo homem. Nesse sentido, Rubens, a cada série de desenho, sinto estar destrancando idiomas diversos que possibilita que ele dialogue com coisas que um dia podem ter sido chamadas de "magia", mas que hoje, me parece muito plausível serem entendidas como absolutamente materiais, ainda mais considerando que existem máquinas como computadores quânticos. Dessa forma, acredito que RES esteja mesmo desbloqueando um código que permite que ele dialogue com o ar que desenha seus desenhos. (Com isso, inclusive, podemos ver a complexidade de sua obra: Rubens nos apresenta um significado muito mais sofisticado da ideia de auto-conhecimento – auto-conhecimento não enquanto um modo de conhecer a si mesmo, mas auto-conhecimento se apresenta, a partir da obra de RES, como um modo de se desconhecer de si mesmo, e assim ser apresentado a tantas outras possibilidades de si).

 

Se o homem pode inventar uma máquina, uma língua que é muito mais inteligente que ele, então sem dúvida Rubens está a cada série de desenho, decodificando palavras de um idioma que então poderá ser lido nisso que chamamos de um tempo futuro. Acredito que muito provavelmente não estarei aqui para presenciar esse novo idioma sendo dito, isto é, presenciar esse novo homem, mas sem dúvida me comovo em perceber que esse novo homem está sendo criado nesses desenhos bem diante de mim – Rubens não está fazendo desenhos sobre papel com uma carabina e umas latas de tinta, Rubens está inventando a língua que o homem um dia falará, está esculpindo, em uma superfície plana de papel, o homem que está por vir. 

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