Res falando de recursos para seus alunos e discípulos diante dos desenhos de sexta

 

09 de junho de 2018

 

 

Todos os meus alunos e discípulos se queixam da falta de recursos para falar dos meus desenhos, ou verem os desenhos, ou ainda da falta de critérios diante deles, então hoje gostaria de comentar estas questões. Esta insuficiência que é gerada diante de tais coisas, o que estas coisas que chamo de desenho evocam materialmente no mundo para proporcionar tamanho desajuste entre o que sinto no meu corpo e o que dou conta com palavras? Exponho: preciso cada vez de mais tempo para retornar do desenho, eles me levam para um lugar muito distante que consome o próprio presente, nem o presente existe enquanto faço estas coisas. Isto é muito duro. Depois desta última sessão, levei muitas horas para estar num lugar minimamente confortável de novo em mim. O corpo todo treme, a pressão sanguínea é muito alta, a tensão é desumana, a solidão é tremenda. Obviamente que este lugar é inabitável, e seria insuportável para qualquer um por muito tempo, então crio técnicas para retornar ou amenizar a dor de sair de um lugar para outro para que os desenhos sejam materializados desta forma e não de outra. Banho muito quente de banheira, cânfora no nariz, silêncio interno, probidade, descanso enfim profundo de uma jornada exaustiva. Obviamente isto não é tudo, como não é tudo no desenho que se vê, ou o que se vê não é o que se vê, a bandeira do Brasil não é bandeira, os símbolos estão lá, mas lá eles se convertem em outra coisa, a superfície do papel é um palco de algo terrível e desumano que é a transformação de uma coisa em outra coisa, isto é: pactos silenciosos são feitos, acordos futuros são fechados, negócios do Espírito estão sendo assinados nestes desenhos, estes desenhos são a tessitura de um documento alinhavado ainda no escuro do tempo futuro, na surdina de um século que está para começar. Malha secreta de uma assinatura. Documento assinado por todos nós presentes a sangue, neles já estão contidos a genética de um novo mundo, o embrião de uma nova criança, meu depoimento, meu pensamento é plástico, plástico como matéria ordinária não existe, ou seja, arte ou é milagre ou é coma. Arte salva ou assassina, arte não pode ser descompromissada, arte não é isenta de verdade, arte não pode ser isenta de salvar vidas, de se comprometer com realidade, de ajudar a plasmar a coisa viva que somos, e ainda seremos, não importa como seremos, se no futuro seremos metade máquina e metade humanos, o que importa é que sejamos dignos de continuar, de prosseguir, digno aqui não significa puro e honesto, mas ferido, baleado, machucado, cicatrizado, rompido, violado de quem foi para o fronte brigar, quero ser um aleijado, quero ser um fudido, quero ser um fraturado, mas um cara que viveu, que se sensibilizou, que se vulnerabilizou, quero estar na briga, quero me consumar, gastar minha existência nesta existência, quero estar dentro do Vivo, do que vive, do que é capaz de apostar tudo no viver intensamente o que me foi dado viver aqui, foco em concentrar em arrancar tudo de mim, em me entregar intensamente, em me violar por completo, não deixar um canto de mim intocável, vou investir todos os meus esforços em me tocar inteiro, cada fedor de mim quero cheirar, que seja a vida consumada em mim por inteiro.

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