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Carta aberta

A verdade sobre o Atelier do Centro

São Paulo, 05/01/2023 

 

Olá, meu nome é Rubens Espírito Santo. Eu sou artista plástico e fundador da Escola Atelier do Centro, uma escola de arte que existe há mais de 20 anos em São Paulo.

Eu resolvi escrever esta carta aberta ao público para responder a uma série de acusações, que estão sendo feitas contra mim e contra a escola no podcast O Ateliê, de Chico Felitti.

O jornalista acusa, de forma fantasiosa, que o Atelier do Centro seria uma seita obscura, dedicada a dominar seus alunos e tirar proveito econômico deles, ao estilo de seitas como a do curandeiro João de Deus e a do líder religioso Jim Jones.

Essas acusações são absurdas, infundadas e constituem um verdadeiro linchamento público de imagem.

O material produzido por ele traz relatos de ex-alunos que me acusam de agressões físicas e psicológicas, sobre as quais eu vou falar ao longo deste texto.

Para estes alunos, eu peço minhas sinceras desculpas pelos eventuais excessos, mesmo que consentidos, que tenham ocorrido em nossa relação, que em grande parte foi marcada por afeto, cumplicidade, aprendizado mútuo e por longos períodos de convivência.

Antes de mais nada, eu gostaria de falar sobre a escola. O Atelier do Centro não é uma seita, como Chico Felitti pretende fazer crer.

O Atelier do Centro é uma escola que oferece cursos livres de arte, filosofia, programas de acompanhamento, de formação e pesquisa continuada.

Nossa sede fica na rua Epitácio Pessoa, 91, no centro de São Paulo, próximo ao Copan. A escola tem sinalização clara em sua fachada, é aberta ao público e os participantes pagam mensalidades para participar das nossas atividades.

Todos podem ingressar e sair da escola a qualquer momento de forma livre e sem constrangimentos. Não trabalhamos nas sombras, como sugere o podcast.

No Atelier do Centro nós adotamos, de fato, um método bastante rigoroso. Nós trabalhamos com pequenos grupos de artistas, arquitetos, cineastas e outros profissionais de áreas criativas que têm interesse em experiências radicais no campo das artes.

Este modelo de experimentação acaba por formar grupos coesos de trabalho e de convivência, pautados por relações intensas, criação de vínculos emocionais, espírito de grupo, disposição para debater questões pessoais e para embates provocativos, alguns deles bastante duros, que têm o propósito de estimular a criatividade e superar limitações.

Não estamos inventando a roda e nem usamos práticas de seitas. Este modelo de trabalho, com forte envolvimento emocional, está presente em orquestras, grupos de teatro e muitas organizações do mundo da cultura.

Neste contexto de trabalho, é natural e proposital que surjam atritos e situações de confronto, como elementos provocadores. A convivência intensa e radical que propomos pode resultar em excessos, que reconheço, podem ter sido cometidos nas relações com ex-alunos, a quem mais uma vez peço desculpas, caso tenham se sentido negativamente afetados. Respeito as críticas e a dor de cada um.  

A proposta de convívio, pautada por este ambiente de confronto, no entanto, sempre foi consensual e estava atrelada a um propósito comum e pactuado entre os participantes. Ninguém foi obrigado a nada.  Ninguém foi coagido a nada. Ninguém foi submetido a atividades com as quais não estivesse de acordo.

A ex-aluna Mirela Cabral, que deu origem às acusações, por exemplo, começou a frequentar a escola aos 24 anos. Já era formada em cinema, trabalhava na produção de comerciais, era uma mulher plenamente consciente e livre para fazer escolhas. Ela permaneceu conosco durante três anos.

Assim como ela, todos que passaram pela escola estavam livres para fazer escolhas. Nunca coagi ninguém a nada. E é importante destacar que sempre recomendei a todos os participantes dos nossos programas que fizessem terapia, com profissionais independentes, para aperfeiçoar o processo de autoconhecimento, o que não é mencionado por Felitti, nem pelos denunciantes.

Eu gostaria de deixar claro também a questão financeira. Em primeiro lugar, eu queria informar a todos que não tenho bens, exceto minha biblioteca com 7 mil livros de arte, que será vendida para enfrentar as acusações que agora me são imputadas.

Não tenho carro, não tenho apartamento, pago aluguel, como muitos. Não tenho reservas. Vivo do trabalho na escola e da venda de desenhos e esculturas que produzo. Minhas obras estão presentes em algumas coleções particulares do país.

É importante destacar, também, que nunca obriguei nenhum aluno a comprar minhas obras. Os que tinham interesse em adquirir, o fizeram livremente. Alguns participaram de um fundo para compra de obras, mais ou menos no formato de um clube de colecionadores, muito comum em instituições culturais. Sempre com adesão espontânea. Existem alunos que estão no Atelier há muitos anos e nunca participaram de nenhum fundo.

Diante de toda esta situação, eu queria informar a todos que estamos suspendendo as atividades do Atelier do Centro até que todas as acusações sejam devidamente esclarecidas.

Eu gostaria de lembrar também que linchamentos públicos precipitados não levam a bons lugares. A acusação de que formei uma seita no coração da cidade de São Paulo pode render cliques. Pode ser uma boa história para se contar na mídia. Mas ela não reflete a realidade e incorre numa fake news, cheia de fatos distorcidos e descontextualizados, que eu não posso deixar de contestar.

Muito obrigado pela atenção de todos.

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